


Linhas de trabalho
Erês

Os erês na Umbanda são a pureza espiritual manifestada na alegria simples da alma. São espíritos infantis (associados aos Ibejis e São Cosme e Damião) que vibram inocência, espontaneidade, verdade e renovação. Não representam imaturidade espiritual, mas sim um elevado grau de evolução que se expressa através da simplicidade, do riso e da leveza.
Quando incorporam, brincam, falam de forma direta e desarmada, usando a linguagem do coração; a sua função é limpar energias densas, despertar a alegria, restaurar a esperança e ensinar através da pureza e da sinceridade. Trazendo consolo, ensinamentos profundos disfarçados de brincadeira e luz para momentos de tristeza, cansaço ou desalento.

Pretos Velhos
Os Pretos-velhos na Umbanda são a sabedoria ancestral falando desde o silêncio da alma. São espíritos de ancestrais africanos (muitas vezes ex-escravizados) que, depois da morte, alcançaram paz e despertar espiritual, tornando-se guias “limpos”, cheios de compaixão, paciência e humildade.
Quando incorporam, chegam curvados, falando com brandura, oferecendo conselhos doces e fortes ao mesmo tempo; sua função é curar, orientar e trazer fé, esperança e resignação. Eles são como avós benevolentes da espiritualidade, aquele colo que acolhe, a voz suave que guia, o conselho sábio que traz conforto nos momentos de dor, tristeza ou dúvida.
Baianos

São espíritos de pessoas que viveram (ou vieram) do nordeste brasileiro, carregando no peito a força da luta, a fé simples, a esperança resistente e um axé cheio de calor humano. Quando se manifestam, chegam com passo ritmado dançam, conversam, contam causos, dão risada e oferecem conselhos com franqueza e sabedoria de rua. Trazem consigo os sabores e aromas do nordeste: coco, dendê, comidas populares, batidas, aromas de terra e mar, lembrando raízes, memória e ancestralidade. Desmancham demandas, limpam caminhos São amigos confidentes e sinceros: se precisas falar com verdade, ouvir verdade, enfrentar problemas ou buscar consolo, os Baianos acendem a luz da esperança, mostram o caminho e lembram que, mesmo na dor, há fé, há luta, há riso, há renascimento.
Boiadeiros
A Linha dos Boiadeiros manifesta a força dos antigos vaqueiros e peões do sertão, espíritos firmes que trabalham na Umbanda com coragem, ordem e proteção. Chegam com a energia da terra seca, com o laço e o chicote simbólicos, usados para “laçar” e afastar cargas espirituais densas, tal como conduziriam uma boiada desgarrada. A sua vibração é direta, rústica e honesta: ensinam que proteção e cura exigem firmeza, disciplina e clareza de caminho. São guardiões incansáveis, que abrem estradas, defendem o terreiro e ajudam quem precisa com a sabedoria simples de quem viveu da lida com a natureza.

Caboclos

Os Caboclos representam a força da terra, da mata, do índio ancestral, a comunhão com a natureza, com as raízes do continente americano.
São espíritos de indígenas, que retornam para ajudar com força, coragem, conhecimento de ervas, medicinas e magias ancestrais , curas naturais e clareza espiritual.
Quando se manifestam, trazem firmeza e verdade. São conselheiros diretos, resolutos, e nos ensinam a caminhar com retidão e coragem, tal como quem conhece bem os caminhos da mata e da vida.
Linha do Oriente
A linha do Oriente (ou Ciganos) representa a sabedoria ancestral, o conhecimento espiritual amplo, o livre-arbítrio e o caminho da evolução através da experiência e do aprendizado contínuo.
São espíritos de grande elevação, associados a povos do Oriente e tradições ciganas, que atuam na orientação espiritual, na prosperidade, no despertar da consciência e no equilíbrio entre razão e intuição. Quando se manifestam, trazem elegância, clareza e magnetismo. São mestres do aconselhamento e da visão ampla da vida, ensinando a caminhar com responsabilidade, liberdade e consciência das próprias escolhas.

Marinheiros
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Os Marinheiros representam a força do mar, das águas em movimento e das grandes travessias da vida. Simbolizam aqueles que aprenderam a manter-se de pé mesmo quando o chão parece instável, ensinando equilíbrio em meio às marés emocionais. São espíritos trabalhadores ligados simbolicamente ao universo marítimo, homens do mar, viajantes, conhecedores de portos, tempestades e longas jornadas. Quando se manifestam, trazem uma vibração firme mas descontraída, marcada por espontaneidade e franqueza. Trabalham com alegria disciplinada, ensinando que a fé também precisa de leveza. A sua linguagem é simples e direta, mas carregada de sabedoria prática. São conselheiros que falam da vida como quem já enfrentou muitas ondas — conhecem as quedas, as perdas e os recomeços. A energia dos Marinheiros está associada ao movimento das águas: limpam, renovam e devolvem fluidez ao que estava estagnado. Atuam especialmente em questões emocionais, vícios, desalentos e confusões espirituais, ajudando a restabelecer o rumo e a fortalecer a estrutura interior. Tal como o mar, ensinam que a vida é feita de ciclos — marés altas e baixas, e que a verdadeira firmeza não está em evitar a tempestade, mas em aprender a navegar com consciência, coragem e fé.
Exú e Pombagira
Exú e Pomba Gira representam a força do movimento, da comunicação, da transformação e da justiça divina aplicada à vida material e espiritual. Representam a esquerda da Umbanda e atuam nas encruzilhadas, nos caminhos e nas decisões.
São espíritos trabalhadores da Lei, elevados e disciplinados, que auxiliam na quebra de negatividades, na proteção espiritual e na reorganização dos caminhos. Quando se manifestam, trazem firmeza, lucidez e verdade direta. Ensinam sobre responsabilidade, equilíbrio entre desejo e razão, e sobre enfrentar a própria sombra para evoluir com consciência e ética.

Exú Mirim

Exú Mirim representa a energia da espontaneidade, da aprendizagem e da desconstrução de padrões rígidos, atuando sobretudo na desmistificação do medo e da culpa.
São espíritos em processo de evolução, que trabalham sob a orientação de entidades superiores.
Quando se manifestam, trazem leveza, irreverência e linguagem simples. Auxiliam na limpeza de energias densas ligadas à infância, traumas e padrões repetitivos, ensinando que a evolução também passa pelo autoconhecimento e pela responsabilidade sobre as próprias atitudes.